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Psicoterapia

Psicoterapia Formativa

“A aventura básica da vida é o modo como uma pessoa organiza sua forma de existência, desorganiza aquilo que não é mais relevante e gera novas experiências para se tornar o indivíduo que ela vive e não aquele que ela imagina que tem que ser” (Stanley Keleman)

A clínica formativa é voltada para a necessidade de responder aos desafios e sofrimentos presentes nas nossas vidas: a vida como criação no processo de viver os encontros e os acontecimentos de todas as ordens, sejam eles de ordem social, biológica ou existencial.

Trata-se de poder ser e continuar sendo – possibilitar a construção não apenas do insight, mas corporificar o processo da vida.

“Nós humanos estamos num processo contínuo de maturar e formar um self somático de modo pessoal. Somos concebidos como adultos e é o nosso adulto inato que está buscando organizar sua realidade na concepção, na meia idade, na velhice (Stanley Keleman).”

Somos pessoas diferentes ao longo de nossas vidas – o filho, a profissional, a mãe, o cidadão, o adolescente, o adulto, o bebê, etc. Cada uma dessas pessoas tem um corpo diferente e passa por transições e transformações. Os vínculos mudam, nosso modo de amar muda, as satisfações e os desejos mudam, metas e imagens mudam.

Na nossa jornada do amadurecimento, podemos cristalizar formas de ser e estar no mundo que são respostas a experiências que se tornam excessivas para nós.

No cotidiano, nossas formas (vivas) de amar, trabalhar, descansar, lutar, sobreviver, sonhar, vão decidindo, gesto por gesto, pensamento por pensamento, pulsação por pulsação, relação a relação, as formas que nos levam ao cultivo e amadurecimento de vínculos e ligações produtivas, da geração de presentes e futuros significativos, e as formas que geram paralisia, estagnação, desistência, indiferença, falta de perspectiva, etc.

” A psicologia formativa tenta compreender a forma de uma pessoa ; como ela está organizada ;como essa forma funciona; a que papéis dá origem; suas regras musculares – emocionais e nervosas;como a vitalidade e a vivacidade são matidas; e o padrão de agressões que resultou na forma ou papéis observados.”(S.Keleman in Padrões de distress)

No trabalho clínico, nos perguntamos:
Como a vida moldou-se e continua moldando-se nas formas somáticas, no formar corpos dessa pessoa, com uma história específica, um percurso específico, permeado desafios (experiências assimiláveis) e agressões (experiências inassimiláveis)?
“Como eu dou forma a mim mesmo,em resposta às situações de vida, em resposta aos encontros?
Como eu fiz transições de um estilo de vida para outro: por exemplo, de adolescente a adulto?
Como eu busco expressão e satisfação?” ( Stanley Keleman, Realidade Somática )

Ao nos conectarmos com nossa realidade somática, ao corporificar nossa experiência, pessoalizamos nosso sofrimento e podemos reconhecer padrões crônicos de funcionamento, que nos impedem de continuar fazendo corpos, ligações e mundos e por outro lado perceber nossa potência viva, os movimentos do desejo e nossa capacidade para o devir.

Configurando nossas formas corporais, reconhecemos como são os nossos modos (jeitos, padrões estratégias) de estar no mundo e sustentar “nossa” vida e podemos aprender como influir sobre nós mesmos nas situações, criando modificações no próprio funcionamento .

“A capacidade de estar no mundo é um ato corporal. Para entender uma pessoa é preciso saber como ela está presente, como ela perpetua estar presente e como ela antecipa um futuro.” (Stanley Keleman, 2001)

A clínica formativa busca a reconexão de cada sujeito com sua presença viva em direção ao futuro, isto é, a reconhecer se e manejar-se de tal forma que possa identificar-se mais com seus próprios recursos para continuar vivendo seu devir.
Para isso, é imprescindível um ambiente confiável e um ritmo propício ao amadurecimento e à construção da potência adulta.

Propiciar o reconhecimento e manejo dilemas formativos, restaurar a conexão com a potência do vivo em nós, fortalecer a potência formativa e a potência conectiva de grupos e pessoas, corporificar o processo de vida com foco no amadurecimento e uma orientação presente-futuro. Essas são direções básicas para o trabalho dessa clínica.

A elaboração do sofrimento se torna, assim, um processo afirmativo, que dá continente para frustração e para o fracasso a partir da presença e não da falta.